A oferta conforme Abel

Há quem descreva o Livro dos Hebreus como o 5º evangelho, argumentando que, se os 4 evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João) relatam o ministério de Jesus na terra, o livro dos Hebreus relata o ministério de Jesus no céu, como Sumo Sacerdote e um Cordeiro Eterno e Perfeito.

Nos capítulos anteriores do livro o Espírito Santo demonstra a superioridade de Cristo e de Sua Nova Aliança, e de como Ele é um Cordeiro Perfeito e um Sumo Sacerdote perfeito e eterno, não de ordem levítica, ministrando à destra de Deus Pai num Templo não feito por mãos humanas, do qual as ordenanças da Torá eram apenas réplicas imperfeitas. Neste capítulo, o Senhor ressalta que o alcance dessa ministração eterna e celestial pelo homem se daria somente e tão somente pela fé.

E o exemplo posto é o de Abel, filho de Adão, um dos primeiros seres humanos a pisarem a terra. Sua história está registrada em maiores detalhes em Gênesis capítulo 4, e seu exemplo aqui, em Hebreus, revela que, desde o princípio, em todas as gerações e dispensações, o projeto de Deus é um só: a salvação do homem exclusivamente pela fé no Cordeiro Eterno, Seu Filho Jesus.

A Bíblia diz que Caim e Abel, irmãos, de mesma criação e ascendência, conhecendo o mesmo Deus, procuravam servi-Lo e agradá-Lo. Caim escolheu agradá-Lo com o melhor da terra, enquanto Abel ofereceu-Lhe do sacrifício das primeiras crias de suas ovelhas. Deus atentou para a oferta de Abel, que apontava para o Cordeiro, e rejeitou a oferta de Caim, que, muito embora feita com ótimas intenções, não estava de acordo com o desejo de Deus.

Isso deve ser muito considerado por todos nós, para não acontecer de vivermos uma vida inteira supostamente cultuando a Deus da nossa maneira, sem que Ele receba nossa oferta. Como no texto de Gênesis 4, Deus não permite que isso aconteça por ignorância. Ele sempre intervém, para nos dar a oportunidade de consertarmos nosso caminho, nosso culto, nossa adoração, a fim de que nos tornemos aceitáveis diante Dele. Não foi o que aconteceu com Saulo, no caminho de Damasco?

Precisamos oferecer ao Senhor aquilo que Ele deseja que façamos. Guardadas as devidas proporções, podemos pensar num exemplo imperfeito, mas que pode ilustrar. Já presenteou alguém com algo que você julgava muito bom e percebeu que a pessoa se frustou, esperando outra coisa? Pois então. Com relação à adoração, ao culto e à própria oferta pelo pecado, Deus não aceita aquilo que julgamos bom, mas tão somente aquilo que ELE mesmo deseja.

Caim fez uma oferta com o melhor da terra. Aquela oferta era aquilo que ele julgava como o melhor. Entretanto, não era aquilo que Deus desejava receber.

Abel, pela fé que lhe foi dada por Deus, atendendo com obediência à vontade soberana do Criador, entregou ao Senhor não aquilo que era melhor aos olhos do homem, mas aquilo que era o melhor aos olhos de Deus. Abel alcançou o profético, isto é, pelo Espírito Santo, Abel entrou no projeto eterno, na Aliança Eterna, uma vez que o Cordeiro de Deus foi morto, profeticamente, ainda antes da fundação do mundo, sendo justificado não pelas obras (oferta daquilo que é melhor segundo os padrões do mundo), mas pela fé no Cordeiro (Filho de Deus).

Quando se trata de agradar a Deus, ainda hoje muitas pessoas querem oferecer-lhe um culto de acordo com os seus próprios padrões de qualidade. Escolhem tudo, nos mínimos detalhes. Usam do que julgam ser o melhor, mas o padrão de qualidade de Deus não muda: é o Seu Projeto, a Sua Palavra, o Seu Filho, o Cordeiro de Deus. A oferta que Deus quer é o Cordeiro Eterno, sem defeitos. Seu precioso sangue derramado fala melhor ao Pai do que qualquer ação ou expressão humana.

Caim, por ciúmes, matou Abel, cortando sua vida nessa terra, mas de maneira nenhuma conseguiu cortar sua oferta, que, conforme o texto acima, fala até hoje e falará eternamente.

O que temos dado ao Senhor? Como o salmista, podemos afirmar que temos tomado do cálice da Salvação que nos foi dado pelo próprio Deus, e que contém o Sangue Precioso de Seu Filho? Ou temos deixado esse cálice de lado, e pegado uma bebida que julgamos melhor para oferecer-lhe e o honrarmos segundo os nossos padrões?

Nossos padrões, por melhores que sejam, são como trapos de imundícia (Is 64:6). O padrão de Deus é infinitamente mais alto, é inalcançável pelo homem natural. O padrão de Deus é a perfeição, que só se encontrou no Filho de Deus. A fé Nele, sim, nos justifica, como justificou Abel.

Que a nossa oferta, daqui em diante, seja pela fé. Que seja segundo a vontade de Deus, na obediência do Projeto do Pai. Que seja pela fé em Jesus Cristo, o Cordeiro Eterno, imaculado, mais precioso que o mundo inteiro.

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